Minha vida está um caos,
 não tendo direito a nada.
 Perco até  a inspiração
 para a poesia, minha alegria,
 minha companhia
nas horas de agonia.
 Sou totalmente desvalorizada,
 Sem eira nem beira,
 Uma verdadeira enjeitada.

 Sou pau para toda obra:
 faxineira, cozinheira,
 Lavadeira, passadeira,
 Engomadeira.
 Sou até enfermeira
 Além de boa companheira,
 Sem cobrar um tostão.

 Fui sempre mulher caseira,
 Sempre andei pela direita,
 Não sou de badalação.
 Mas, com tudo que acontece
 Vou mudar a situação.
 Deixarei de lado a decência
 E para a rua sairei,
 Vou andar na contra-mão.
 Vou revirar os olhos,
 Rodar a bolsinha
 E rebolar no calçadão.

 Quando voltar pra casa
 Bancarei a dondoca,
 Comendo chocolate e pipoca
 Diante da televisão.
 Pode ser que desse jeito
 Seja mais valorizada.
 Assim como está
 Não dá mais não,
 Ou acabo ficando louca,
 Ou afundo na depressão.

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