O amor é grandioso, sem limite, infinito,

não admite fronteiras, nem restrições,

de tão envolvente pode até gerar conflito,

bate de frente com a fragilidade das emoções.

 

Muitos, ao se unirem, exigem um cantinho,

que seja somente deles, para viver seus amores,

e como o espaço do amor vai além de um ninho,

em pouco tempo surgem o cansaço e os temores.

 

O amor a dois só se torna sólido quando se integra,

ao universo, à humanidade, tal qual o amor divino,

no pequeno espaço de dois seres perde a refrega,

torna-se rotineiro, vira um costume, um desatino.

 

Quando, porém, ele é vivido e compartilhado,

com a grandeza universal e bela da natureza,

quando sai do nosso limite e é integrado,

aos outros caminhantes, é a maior riqueza.

 

Aqui, entra, então, o papel vital da amizade,

amigos que querem participar e conosco dividir

os altos e baixos dessa estrada, com sinceridade,

que nos amam, gratuitamente, se aliam ao porvir.

 

Sem essa visão ampla e sem nenhuma dimensão,

o relacionamento se torna penoso, egoísta e frio.

quando cada um quer se apossar de toda a relação,

dominando, pensamentos, sentimentos, um desvario.

 

 

A amizade é tão decisiva e importante na vida,

que sem ela não saímos do nosso frágil recanto,

nosso horizonte fica tão pequeno que intimida,

um abraço, uma mão estendida, valem tanto.

 

A amizade só existe em pessoas desprendidas,

que querem o bem dos outros livremente,

que torcem pelo sucesso, de ambições desprovidas,

que estão sempre do nosso lado, carinhosamente.

 

Esse gesto gratuito e sincero passa a nos impelir,

a entender melhor os outros e a enxergar tudo,

o que se passa ao nosso redor, num interagir,

salutar, enriquecedor, gratificante, sobretudo.

 

A amizade é um tesouro raro e muito valioso,

que deve ser cuidada e regada com carinhos,

ela é uma dádiva divina, um bem muito precioso,

com ela jamais nos sentiremos tristes e sozinhos.

 

Quando estive no hospital, sofrendo, temeroso,

fui visitado por poucas pessoas preocupadas comigo,

senti que são poucos com esse gesto generoso,

muitos abraços, tapinhas nas costas, sem sentido.

 

Nossa cultura é pobre, cheia de mentiras e falsidades,

quando alguém lhe diz há quanto tempo, que saudade,

são somente cumprimentos, palavras soltas, amenidades,

e se disser, precisamos conversar, expressa uma inverdade.

 

O amigo é aquele que sente sua ausência, que quer saber,

como anda o que lhe acontece, se entristece com sua dor,

é capaz de se sacrificar, se doar, sem nada em troca querer,

ele é um sinal de Deus, um estalar de dedos do Criador.



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